O curta-metragem Corpo Negro foi lançado no dia 1º de abril, no Cinema Estação do Shopping da Gávea, no Rio de Janeiro, com exibição seguida de mesa redonda. A obra retrata a experiência de um homem negro diante da indiferença de profissionais da saúde. O objetivo é provocar uma reflexão sobre o racismo institucional na área médica.
Dirigido por Nany Oliveira, o filme integra o projeto Mediversidade, promovido pelo Instituto de Educação Médica (Idomed) e pelo Instituto Yduqs. A iniciativa tem como foco a promoção de um ensino mais inclusivo em instituições como Estácio, Ibmec, Damásio, Fameac e Fapan.
Dados revelam desigualdade no atendimento médico
Estudos apontam que pessoas negras enfrentam mais dificuldades no acesso à saúde. Uma pesquisa da UERJ publicada em 2018 indicou que mulheres pretas e pardas têm o dobro de chances de receber um diagnóstico tardio de câncer de mama em comparação a mulheres brancas.
Outro estudo, de 2023, realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps) e o Instituto Çarê, mostrou que pacientes negros têm mais chances de serem hospitalizados por erro médico. No Nordeste, a probabilidade é 585,3% maior do que entre brancos.
No mesmo ano, uma pesquisa do Ministério da Saúde e da Fiocruz apontou que a mortalidade materna de mulheres negras é mais que o dobro em relação à de mulheres brancas. Os dados analisaram óbitos ocorridos até 42 dias após o fim da gestação.
Racismo médico também é pauta internacional
Nos Estados Unidos, o Centro Médico de Boston revelou que o diagnóstico de Alzheimer ocorre mais tarde em pacientes negros: média de 72,5 anos, contra 67,8 entre brancos. O estudo destacou também menor acesso a exames, como ressonância magnética, por parte da população negra.
O filme Corpo Negro também expõe outros dados relevantes. Entre eles, a diferença no tempo de consulta entre pacientes brancos e negros, e o fato de corpos negros serem os mais utilizados em estudos médicos, apesar da baixa representatividade entre os formandos em Medicina.
Segundo o Censo de 2022, apenas 2,8% dos graduados em Medicina se declararam pretos. Brancos representaram 75,5% e pardos, 19%.
Projeto Mediversidade propõe ações concretas
O projeto Mediversidade prevê uma série de medidas para enfrentar esse cenário. Entre elas:
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Cursos gratuitos de letramento étnico-racial para docentes, alunos e profissionais da saúde;
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Ampliação para 35% de vagas afirmativas na contratação de professores;
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Revisão da matriz curricular dos cursos de Medicina;
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Apoio a pesquisas científicas voltadas à diversidade;
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Concessão de bolsas integrais para estudantes negros e pardos;
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Uso de manequins negros nas aulas práticas.
O curta-metragem está disponível online e busca ampliar o debate sobre as desigualdades estruturais no sistema de saúde brasileiro.
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